
A pesca manejada do pirarucu se consolidou como um dos principais motores do desenvolvimento sustentável na Amazônia. Além de garantir a conservação da espécie o modelo de negócio está gerando um impacto direto na qualidade de vida das populações ribeirinhas. Em regiões onde a rede elétrica tradicional não chega o lucro da comercialização do peixe está sendo investido em sistemas de energia solar permitindo que famílias inteiras saiam do isolamento energético.
Um exemplo claro dessa transformação ocorre na Comunidade do Cordeiro, localizada às margens do Rio Auati-Paraná, em Fonte Boa (a 680 km de Manaus). A vila conta com cerca de 200 moradores que antes dependiam apenas de uma pequena termelétrica comunitária a diesel, com luz limitada a apenas quatro horas por dia. Agora, as placas solares começam a mudar essa realidade.
“Com o dinheiro do pirarucu cada um compra as suas coisinhas, seus objetos”, explica o pescador Aldemir Freitas de Lima enquanto prepara a instalação de novos painéis em sua residência.
Investimento e autonomia
Para quem vive do rio a chegada da energia solar representa liberdade e conforto. Os sistemas autônomos custam entre R$ 11.000 e R$ 15.000 incluindo baterias e painéis. Esse valor permite o uso de eletrodomésticos básicos como freezers e batedores de açaí facilitando o dia a dia e a conservação de alimentos.
O pescador João Alves Flores é um dos moradores que já colhe os frutos dessa tecnologia.
“Esse ano, eu tenho fé em Deus, que com o dinheiro da pesca vou colocar o sistema de energia solar para funcionar 24 horas, ainda não é”, afirma João Alves Flores que aprendeu a gerenciar o próprio equipamento.
Gerações no manejo
A atividade pesqueira em Fonte Boa é uma tradição que passa de pais para filhos exigindo planejamento rigoroso e contagem das espécies para respeitar as regras ambientais. Jovens como Audriene Flores de Lima de 23 anos atuam no manejo desde a adolescência e agora buscam a independência financeira através da pesca legalizada.
“Faço parte da pesca tradicional desde os meus 15 anos. Naquele tempo o preço do peixe era mais lá embaixo. O rendimento aumentou mais, graças a Deus. Com o dinheiro desse ano, queremos adquirir uma placa solar”, destaca Audriene Flores de Lima.
Força da economia local
O sucesso do manejo depende de uma cadeia comercial sólida. O pirarucu da Comunidade do Cordeiro é vendido para a Frigopesca um dos maiores frigoríficos da região que mantém parcerias com reservas regulamentadas pelo Ibama há mais de 25 anos. Essa relação comercial garante que o recurso circule dentro do estado.
O sócio e CEO da Frigopesca Raimundo Chikó reforça o compromisso social da empresa.
“Eu sinto uma honra muito grande em poder contribuir com essas pessoas, melhorar a vida delas”, ressalta o empresário.
Impacto industrial
A Frigopesca é uma empresa genuinamente amazonense com capacidade para processar 5 mil toneladas de peixe anualmente. Durante o período da safra a companhia chega a empregar mais de 450 funcionários e movimenta uma rede de 10 mil pescadores em diversos municípios como Manacapuru, Beruri, Maraã e Parintins. O peixe processado no Amazonas ganha o mundo sendo revendido para mercados nacionais e internacionais.
ASCOM: Shirley Assis










