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Igreja católica surpreende ao rejeitar convite de Trump para o novo Conselho da Paz

A diplomacia mundial amanheceu nesta quarta-feira (18) com os reflexos de uma decisão de peso vinda de Roma. O Vaticano confirmou que não vai integrar o “Conselho da Paz”, a nova organização internacional criada pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump. O anúncio, feito pelo secretário de Estado da Santa Sé, o cardeal Pietro Parolin, coloca um freio na tentativa de Washington de centralizar as resoluções de conflitos globais fora das estruturas tradicionais.

A recusa ocorre em um momento em que o governo americano tenta expandir a influência deste novo órgão, que nasceu com o objetivo de cuidar da trégua em Gaza, mas que agora busca arbitrar crises em todo o planeta. Para o Vaticano, a existência de uma alternativa à Organização das Nações Unidas (ONU) gera incertezas que a Igreja não está disposta a endossar neste momento.

Defesa das Nações Unidas

Francesco Di Nitto (à esquerda), embaixador da Itália junto à Santa Sé, despede-se do cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, após uma cerimônia que marcou o 97º aniversário do Pacto de Latrão com o Vaticano, em Roma, em 17 de fevereiro de 2026. (Foto de Andreas Solaro / AFP)
Francesco Di Nitto (à esquerda), embaixador da Itália junto à Santa Sé, despede-se do cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano – Foto: Andreas Solaro / AFP

O ponto central da discórdia é a preservação da autoridade das instituições que já existem. O cardeal Pietro Parolin foi enfático ao dizer que a Santa Sé não vê espaço para atuar em um fórum que possa enfraquecer o papel mediador da comunidade internacional já estabelecida.

“Para nós, existem algumas questões críticas que precisam ser resolvidas” afirma o cardeal Pietro Parolin sobre o afastamento do projeto.

A cúpula da Igreja Católica reforçou que, na visão deles, qualquer solução para crises mundiais deve passar pelo crivo de órgãos multilaterais. “No âmbito internacional, acima de tudo, é a ONU que administra essas situações de crise” destaca Parolin, deixando claro que o Vaticano não pretende trocar o fórum global por uma iniciativa liderada por um único país.

Taxa de entrada bilionária

Além das questões diplomáticas, o modelo de financiamento do “Conselho da Paz” levanta sobrancelhas em diversas capitais. O projeto de Trump exige que os membros permanentes façam um aporte pesado para garantir uma cadeira nas decisões. Esse formato tem sido alvo de críticas por criar uma espécie de diplomacia paga, onde apenas nações com grandes reservas financeiras teriam voz ativa.

  • Aporte financeiro: Cada país membro deve contribuir com US$ 1 bilhão.
  • Países signatários: Até agora, pelo menos 19 nações já assinaram a carta de fundação desde o lançamento em Davos.
  • Concorrência direta: O temor é que o órgão se torne um rival direto do Conselho de Segurança da ONU.

Expansão do projeto americano

O “Conselho da Paz” teve sua semente plantada em janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial, com a promessa de focar na reconstrução de territórios devastados pela guerra. No entanto, a evolução rápida para um órgão de resolução de conflitos gerais acendeu o alerta no Vaticano.

A decisão da Santa Sé de se manter distante pode influenciar outros países que ainda estão indecisos sobre a adesão ao grupo. Enquanto Donald Trump busca consolidar seu conselho como a nova força de paz do século 21, o posicionamento de Roma serve como um lembrete de que a tradição diplomática e o multilateralismo ainda possuem defensores poderosos no cenário internacional.

Fonte: https://jovempan.com.br/noticias/mundo/vaticano-recusa-convite-de-trump-para-integrar-conselho-da-paz.html

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