
A movimentação política no Amazonas ganhou contornos decisivos nesta última semana. O que se desenhava nos bastidores agora se torna público e estratégico. O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), não apenas consolidou sua liderança na capital, mas iniciou uma ofensiva clara para conquistar o interior do estado. A adesão de prefeitos, ex-gestores e vereadores de diversos municípios a uma eventual candidatura dele ao governo estadual sinaliza uma mudança de rota que pode reconfigurar as alianças para o pleito de 2026.
Essa articulação ocorre em um momento de ruptura. Ao descartar a continuidade da aliança com o senador Omar Aziz (PSD) na abertura dos trabalhos legislativos, no último dia 9 de fevereiro, Almeida deixou claro que seu projeto político exige protagonismo. A estratégia deixa de ser apenas a reeleição municipal ou o apoio a terceiros para se tornar uma construção de viabilidade para o governo do Amazonas.
O elo municipalista
O grande trunfo dessa nova fase não é apenas a popularidade, mas a pauta econômica. David Almeida acertou ao levar para a discussão pública os dados do Índice de financiamento e equidade municipal (IFEM). Ao expor, durante encontro da Frente nacional de prefeitos (FNP) em Brasília, que Manaus e as cidades do interior operam no “vermelho” em áreas cruciais como saúde e educação, ele tocou na ferida de todos os gestores locais.
O discurso de que “o povo que protege a floresta precisa de igualdade tributária” ressoa com força entre os prefeitos do interior. Eles enfrentam diariamente a escassez de recursos e veem na capital um modelo de gestão que, apesar das dificuldades, consegue entregar obras e serviços. David se coloca, assim, como o porta-voz de uma insatisfação coletiva com o atual pacto federativo e estadual.
Gestão como vitrine
Para as lideranças que agora declaram apoio, a administração de Manaus serve como uma espécie de espelho. A avaliação política é pragmática. Um governador com perfil municipalista, que entende as dores de quem administra a ponta, teria mais sensibilidade para corrigir as distorções nos repasses de verbas.
Esse sentimento cria uma base orgânica para o prefeito. Enquanto adversários tradicionais muitas vezes sustentam suas campanhas em históricos legislativos ou em estruturas partidárias antigas, Almeida aposta na vitrine administrativa. A entrega de resultados na capital vira seu principal cabo eleitoral no interior.
Riscos e cenário
Apesar dos números favoráveis nas pesquisas de intenção de voto, o caminho não é isento de obstáculos. Romper com grupos estabelecidos, como o do senador Omar Aziz, exige habilidade para não ficar isolado politicamente. No entanto, a aposta de David parece ser justamente na renovação das práticas e no contato direto com a base municipal.
O cenário para 2026 ainda está aberto, mas a mensagem da semana é clara. David Almeida não está mais restrito aos limites geográficos de Manaus. Ele busca ser o nome que une a capital e o interior sob a bandeira da justiça tributária e da eficiência na gestão. Resta saber como as forças tradicionais do estado reagirão a esse avanço.










