
O clima em São Januário era de apreensão extrema. O torcedor cruz-maltino viveu uma noite de emoções conflitantes, onde o alívio da classificação para a semifinal do Campeonato Carioca se misturou com a insatisfação clara sobre o desempenho coletivo. O empate por 1 a 1 no tempo regulamentar contra o Volta Redonda refletiu a instabilidade de um trabalho que ainda busca sintonia entre as ideias de Fernando Diniz e a execução em campo.
A vitória nas penalidades por 5 a 3 garantiu a continuidade do Gigante da Colina no torneio, mas deixou lições urgentes para a comissão técnica. O confronto expôs fragilidades defensivas e uma preocupante falta de criatividade no setor ofensivo durante boa parte da partida.
Ineficácia e vaias
O início da partida deu a falsa impressão de que o Vasco dominaria sem dificuldades. Com Andrés Gomez tentando ditar o ritmo, a equipe ocupou o campo de ataque, mas esbarrou na falta de capricho no último passe. A criatividade, artigo de luxo na primeira etapa, foi substituída pela impaciência das arquibancadas. Antes mesmo dos 20 minutos, o som das vaias já ecoava pelo estádio, evidenciando o curto pavio da torcida com o esquema tático atual.
“A palavra que resume o primeiro tempo do Vasco é ineficácia”, afirmou o narrador ao descrever a produção nula da equipe mandante.
Lei do ex no Rio
O castigo veio aos 27 minutos após um erro de saída de bola de Thiago Mendes. Catatau, atacante com passagem pelo clube de São Januário, aproveitou a falha e balançou as redes na saída do goleiro Léo Jardim. Em um gesto de profissionalismo e gratidão, o jogador optou por não comemorar o gol contra sua ex-equipe. O tento adversário foi o estopim para que as críticas se direcionassem nominalmente ao técnico Fernando Diniz e ao meia Coutinho, que teve uma atuação apagada e acabou substituído ainda no intervalo.
Estrela do estreante
A conversa no vestiário parece ter ajustado os ponteiros. O Vasco retornou para a etapa complementar com uma postura mais agressiva, focando as jogadas ofensivas pelo lado de Andrés Gomez. Entretanto, a rede só balançou com a estrela de Spinelli. O atacante argentino, recém-contratado para reforçar o setor ofensivo, precisou de apenas um toque na bola para empatar o jogo. Após um cruzamento preciso de Cuesta, o estreante testou firme para o fundo do gol, inflamando momentaneamente a torcida.
Triunfo nas penalidades
Apesar da pressão final e de uma chance clara desperdiçada por Andrés Gomez nos acréscimos, que parou em uma defesa espetacular do goleiro adversário, a decisão foi para a marca da cal. Na série de cobranças, o Vasco demonstrou frieza e aproveitamento total. A classificação foi selada quando Marquinhos, do Volta Redonda, desperdiçou sua cobrança, permitindo ao Cruz-Maltino fechar a conta em 5 a 3 e evitar um desastre precoce na temporada.
Caminho rumo ao título
Com a classificação garantida, o Vasco agora aguarda a definição de seu próximo oponente. O adversário sairá do confronto entre Fluminense e Bangu, que acontece amanhã, segunda-feira (16), no Maracanã. Enquanto isso, o Volta Redonda volta suas atenções para a semifinal da Taça Rio, onde enfrentará o Boavista em partidas de ida e volta. Para o torcedor vascaíno, fica a esperança de que a vaga sirva de combustível para ajustes táticos necessários, pois a margem para erros será mínima na próxima fase.










