
A valorização das raízes amazônicas e o fortalecimento do ensino tradicional marcaram o início do ano letivo na rede municipal de ensino. Nesta quinta-feira, 5/2, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), deu início ao “Ajuri dos Saberes”. O evento reúne 23 professores que atuam diretamente em escolas indígenas e nos Espaços de Estudo da Língua Materna e Cultura Tradicional Indígena (EELMCTI), promovendo um alinhamento pedagógico que respeita a ancestralidade.
O encontro ocorre na Divisão de Desenvolvimento Profissional do Magistério (DDPM), na zona Centro-Sul, e se estende até sexta-feira, 6 de fevereiro. Mais do que uma simples jornada de planejamento, a iniciativa representa uma mudança de paradigma ao substituir o formato convencional de reuniões por um modelo baseado na cooperação comunitária.
O significado do termo Ajuri e a nova visão pedagógica
A escolha do nome não foi por acaso e carrega um simbolismo profundo para os povos da floresta. Originária do tupi, a palavra “ajuri” significa “eu vim ajudar” e descreve o tradicional mutirão de trabalho coletivo onde a solidariedade é a base de tudo.
Ao adotar essa nomenclatura, a Gerência de Educação Escolar Indígena (GEEI) busca aproximar as diretrizes da Semed da realidade vivida nas aldeias e comunidades urbanas. Confira os pilares desse novo formato:
- Substituição da jornada pedagógica tradicional por um evento alinhado à cosmovisão dos povos originários.
- Fortalecimento das práticas de ensino que respeitam o pensamento e o contexto cultural indígena.
- Padronização das ações educacionais para o ano letivo de 2026 com foco na língua materna.
- Valorização do papel do professor indígena como mediador entre o saber acadêmico e a tradição.
Voz e vez para os professores indígenas
Para quem está na ponta do processo educativo, o evento é visto como um reconhecimento necessário. A professora dessana Joana Montanha Galvão, que atua no espaço “Buu-Miri”, destaca que o apoio da gestão municipal é fundamental para garantir que a história e a língua de seus ancestrais não se percam com o tempo.
“O ensino da nossa língua é essencial para nós que vivemos aqui no Amazonas, como mãe, professora, liderança e mulher. Ensinamos nossos filhos a partir da nossa história. A Semed está de parabéns por nos acolher e respeitar os povos indígenas. Para nós, é motivo de orgulho e grande importância, porque transmitimos esse conhecimento aos nossos filhos, que também irão compartilhá-lo”, afirmou a professora Joana Montanha Galvão.
Preservação cultural como política pública
O “Ajuri dos Saberes” demonstra que a educação em Manaus caminha para uma estrutura mais inclusiva e humanizada. Ao integrar o conhecimento tradicional ao currículo municipal, a prefeitura não apenas cumpre diretrizes legais, mas assegura que as futuras gerações de indígenas na capital mantenham viva sua identidade.
O evento reforça que o aprendizado no Amazonas deve, obrigatoriamente, passar pelo entendimento de quem sempre cuidou desta terra. Essa integração de saberes é o que garante uma educação de qualidade, onde o progresso tecnológico e a sabedoria ancestral caminham lado a lado no cotidiano escolar.
ASCOM: Alexandre Abreu/Semed










