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Banco de R$ 80 bilhões quebrou com caixa menor que o de uma pequena empresa

Banco Master está em liquidação extrajudicial - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A revelação dos bastidores que levaram à liquidação do Banco Master soa, no mínimo, alarmante para qualquer observador do mercado financeiro nacional. É difícil conceber que uma instituição financeira que ostentava R$ 80 bilhões em ativos operasse, na prática, com o caixa de uma pequena empresa de varejo. Os documentos tornados públicos nesta quinta-feira, 29/1, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mostram que o “gigante” comandado por Daniel Vorcaro ruiu tendo apenas R$ 4 milhões disponíveis para honrar compromissos imediatos que superavam os R$ 127 milhões.

O depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, à Polícia Federal, desenha o retrato de uma insolvência que já estava contratada muito antes do decreto oficial de novembro. O caso do Master deixa de ser apenas uma notícia de falência para se tornar um estudo de caso sobre riscos sistêmicos e a contaminação de instituições públicas, como o Banco de Brasília (BRB).

A insolvência disfarçada e o efeito dominó

O que chama a atenção na análise dos fatos não é apenas a falta de liquidez, mas a dimensão do buraco. O banco acumulava R$ 2 bilhões em depósitos compulsórios em atraso, uma obrigação básica que, quando descumprida, acende a luz vermelha mais intensa no painel de controle do regulador.

“Um banco de R$ 80 bilhões normalmente tem R$ 3 bilhões ou R$ 4 bilhões em títulos livres, e o Master, antes da liquidação, tinha apenas R$ 4 milhões em caixa” afirmou Ailton Aquino em seu depoimento, expondo a fragilidade da operação.

Essa “morte anunciada” tentou ser estancada, mas o efeito dominó foi inevitável e atingiu em cheio o braço digital do grupo.

O fim da linha para o Will Bank e o prejuízo estatal

A tentativa de salvar o Will Bank, poupando-o da liquidação inicial em novembro sob o Regime de Administração Especial Temporário (RAET), provou-se ineficaz. A esperança de venda do ativo não se concretizou e a liquidação decretada no último dia 21 de janeiro confirmou o pior cenário. A decisão colegiada de adiar o fim do banco digital visava proteger o perfil de clientes das classes C e D, evitando um calote generalizado em faturas de cartão de crédito, mas a estrutura financeira já estava condenada.

O ponto mais crítico desta análise recai sobre o envolvimento do Banco de Brasília (BRB). A exposição da instituição estatal aos ativos tóxicos do Master é preocupante.

  • Prejuízo bilionário estimado: as perdas do BRB com a aquisição de ativos do Master podem ultrapassar a marca de R$ 5 bilhões.
  • Carteiras de crédito duvidosas: o banco estatal desembolsou R$ 12,2 bilhões por carteiras que, posteriormente, foram consideradas falsas ou problemáticas.
  • Troca de ativos ineficaz: mesmo conseguindo substituir cerca de R$ 10 bilhões por outros ativos, esses novos papéis também apresentam problemas de liquidez.
  • Risco ampliado: a liquidação do Will Bank agrava a situação do BRB, que possui muitos ativos da instituição digital em seu balanço.

Monitoramento e a negativa de pressão política

Apesar da gravidade, o Banco Central sustenta que o processo de supervisão seguiu os ritos normais. Ailton Aquino foi categórico ao negar interferências externas na decisão de liquidar a instituição.

“Que eu tenha conhecimento, como diretor de Fiscalização, não recebi nenhuma pressão de autoridades da República para liquidar ou não liquidar o banco” afirmou o diretor à Polícia Federal.

O caso Master serve como um duro alerta sobre a necessidade de transparência e rigor na gestão de ativos, especialmente quando há intersecção com bancos públicos. O que resta agora é apurar responsabilidades e calcular o tamanho real da conta que, invariavelmente, recai sobre a credibilidade do sistema financeiro.

Fonte: https://revistaoeste.com/economia/banco-master-tinha-apenas-r-4-mi-em-caixa-ao-ser-liquidado-pelo-bc/

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