
Por Juscelino Taketomi
Ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas (DER-AM), o professor e engenheiro civil Orlando Holanda voltou a defender publicamente a recriação do órgão, extinto há anos, argumentando que o estado precisa urgentemente de uma autarquia técnica especializada para cuidar da conservação, manutenção e gestão de sua malha rodoviária.
Segundo Holanda, o Amazonas enfrenta desafios logísticos singulares, que exigem uma estrutura permanente, técnica e operacional dedicada exclusivamente às rodovias estaduais.
Para ele, a ausência de um órgão com esse perfil compromete o patrimônio rodoviário e dificulta o deslocamento de pessoas e cargas, com impactos diretos na economia e na integração regional.
“O Estado do Amazonas precisa de uma autarquia técnica com atuação específica nas nossas rodovias, com foco na conservação e manutenção”, afirma.
Autonomia administrativa
O ex-diretor destaca que a recriação do DER-AM permitiria a formação de um corpo técnico e operacional próprio, com patrulhas mecanizadas, residências técnicas e equipes permanentemente mobilizadas.
Esse modelo, segundo ele, garantiria maior eficiência na conservação das estradas, evitando a deterioração precoce das vias e reduzindo custos a longo prazo.
Outro ponto considerado essencial por Orlando Holanda é a autonomia financeira e administrativa do órgão. Em sua opinião, sem orçamento próprio e capacidade de gestão independente, qualquer estrutura voltada à infraestrutura rodoviária fica limitada e vulnerável a descontinuidades.
“É fundamental que o DER-AM tenha autonomia, com alocação de recursos suficientes para executar suas atividades com eficiência”, ressalta.
Experiência histórica
Orlando Holanda foi diretor-geral do DER-AM entre 1971 e 1975, período em que o órgão era responsável não apenas pela manutenção das rodovias estaduais, mas também pela contratação de obras estratégicas. Entre elas, os trechos da BR-319, ligando Humaitá ao rio Matupiri e do rio Tupana ao mesmo ponto — uma das rodovias mais relevantes do ponto de vista logístico e geopolítico para o Amazonas.
Para o engenheiro, a extinção do DER-AM foi um erro histórico que precisa ser corrigido.
“A extinção do DER-AM foi um equívoco e precisa ser reparada, sobretudo pela relevância da sua atuação específica e pelo papel imprescindível que envolve a geopolítica da região”, avalia.
Integração com universidades
Outro aspecto defendido por Orlando Holanda é a participação da Academia no funcionamento do novo DER-AM. Ele propõe parcerias com faculdades de tecnologia e engenharia, promovendo intercâmbio de conhecimentos, uso compartilhado de laboratórios, participação de estudantes e desenvolvimento de novas técnicas construtivas.
A proposta, segundo Holanda, contribuiria para obras mais duráveis, seguras e econômicas, além de formar profissionais qualificados adaptados às condições amazônicas.
Por fim, Orlando Holanda defende que o DER-AM também atue, por meio de convênios simplificados, na manutenção de ramais e estradas vicinais. Essa atuação ampliaria a efetividade do transporte rodoviário, especialmente em áreas rurais e comunidades mais isoladas, fortalecendo a integração territorial e o escoamento da produção.
Para o ex-diretor, a recriação do DER-AM não é só uma decisão administrativa, mas uma medida estratégica para o desenvolvimento do Amazonas.










