
Por Juscelino Taketomi
As manifestações do último 7 de setembro de 2025 revelaram, mais uma vez, a força das ruas como termômetro político do país. Com atos realizados em diversas capitais, a data cívica acabou convertida em palco de disputas entre apoiadores de Lula e de Jair Bolsonaro.
Embora o presidente Lula tenha conquistado um público expressivo em Brasília, os números mostram que a direita saiu com leve vantagem no comparativo nacional.
Na Esplanada dos Ministérios, o Governo Federal buscou imprimir a marca do “Sete de Setembro pela soberania”. Segundo estimativa da Agência Brasil, cerca de 45 mil pessoas acompanharam o desfile ao lado de Lula e ministros.
Lula reforçou a imagem de chefe de Estado, cercado por Forças Armadas, escolas cívico-militares e movimentos sociais. A presença presidencial deu legitimidade institucional ao ato, mas a mobilização manteve-se limitada ao eixo da Esplanada, sem o transbordamento popular que poderia consolidar um capital político mais amplo.
Na Avenida Paulista, reduto histórico da direita, Bolsonaro provou que continua a mobilizar multidões. O monitoramento do Cebrap/USP, citado pelo portal Metrópoles, estimou 42,2 mil pessoas. Já o Poder360 calculou 48,800 participantes.
A vitória numérica da direita em São Paulo confirma que Bolsonaro ainda detém forte capacidade de mobilização no maior colégio eleitoral do país. O capital político serve como recado à oposição e pressiona o STF, que nesta semana retoma julgamentos ligados à Lava Jato e a aliados bolsonaristas.
Na capital fluminense, o Grito dos Excluídos, tradicional ato da esquerda, manteve a pauta social, mas a avaliação do Poder360 é de que a direita levou mais gente às ruas, embora sem números oficiais divulgados.
O Rio reforçou a vantagem bolsonarista, em um estado onde Lula enfrenta maior resistência. A predominância da direita nas ruas alimenta a narrativa de que Bolsonaro continua sendo um polo incontornável da política nacional.
Em capitais do Norte e Nordeste, como Manaus, Belém, Salvador e Recife, os atos tiveram adesão menor e dispersa. No Sul, cidades como Curitiba e Porto Alegre registraram manifestações de direita, em linha com o perfil regional.
Nessas regiões, a ausência de grandes números mostra que a disputa nacional se concentra em Brasília, São Paulo e Rio. Ainda assim, o predomínio da direita no Sul e a dispersão no Norte e Nordeste sinalizam que Lula precisa fortalecer a mobilização popular fora da máquina governamental.
Pode-se dizer que a direita venceu nas ruas em São Paulo e Rio, com público entre 42 mil e 49 mil na Paulista e predominância visual no Rio. O resultado garante a Bolsonaro fôlego político e confirma sua liderança popular, mesmo fora do poder.
A esquerda concentrou força em Brasília, com 45 mil pessoas, mas em um ato institucional, ligado ao governo. O impacto é de preservação da imagem presidencial, não de mobilização orgânica da base social.
O 7 de setembro de 2025 deixou claro que o Brasil segue polarizado. Lula venceu no palco institucional, reforçando a imagem de presidente da República. Já Bolsonaro venceu no palco das ruas, reafirmando sua força como líder de oposição.
No curto prazo, os números dão vantagem política a Bolsonaro, que exibe capacidade de mobilizar massas mesmo após deixar o Palácio do Planalto. Para Lula, o desafio é converter o aparato estatal em mobilização espontânea, sob risco de ver o movimento político das ruas escapar de suas mãos.











